A Arca do Barata – Ainda Um Velho Disco de Vinil

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Barata Cichetto


Bem, o propósito da Arca do Barata é resgatar sonhos, experiências e memórias da Era Pré-Internética. E, portanto uma das coisas que mais representam tal Era é, com certeza, os discos de vinil. Imensas bolachas pretas que traziam até nós sonhos, desejos e, principalmente prazer auditivo e visual. Sim, pois ao contrário do CD, minúsculo e que proporciona pouco espaço para a criatividade em capas e mesmo internamente. CDs são sempre pequeninos, encartes minúsculos, difícil de ler e nenhum prazer visual. Puristas acham que o som é abafado, sem vida. Mas as capas, ah, as capas dos discos de vini… Criaram obras de arte com elas….

Um exemplo de conjunto de prazer (auditivo e visual) é o disco do Grand Funk Railroad, de 1972, chamado “E Pluribus Funk”, o chamado disco da moeda… A seguir um texto de minha autoria, escrito em 2000… Uma viagem no tempo dentro de uma viagem no tempo.

10/16/2008

--- Um Velho Disco de Vinil ---

Bem lá no fundo da meu baú, completamente riscado e sem a capa prateada em forma de moeda, em alto relevo, um das melhores obras do Rock. O disco “E Pluribus Funk, do Grand Funk Railroad, de 1972. Experiências e arranjos sinfônicos, em sete faixas produzidas por Terry Knight.

Retiro o disco de vinil do celofane, coloco no toca-discos e os chiados logo começam. Lado 1, primeira faixa “Footstompin’ Music”, um bom e velho Rock and Roll. “People Let’s Stop The War”, “Upsetter”, um ritmo de cavalgada e “I Come Tumblin”. Fim do lado 1. Já?! Levanto da cadeira, retiro o braço do toca-discos, pego o vinil com todo o cuidado, viro e recoloco o braço. Mais ruído e “Save The Land”, “No Lies” e uma das coisas mais lindas que já ouvi, “Loneliness” com um arranjo orquestral lindo, quase um lamento o vocal…prosseguindo num ritmo apocalíptico, misturando a orquestra com solos de guitarra, lamentos…É de chorar!

O disco termina, não consigo levantar da cadeira, fico ali inerte olhando o braço do velho toca-discos pousado como uma mão que acaricia o disco, parecendo saudoso daqueles chiados, parecendo lamentar que não se fazem mais discos de vinil, que não se faz mais o bom e velho Rock and Roll. Ah, meu velho toca discos, meus velhos discos de vinil, meu velho Rock and Roll, meus velhos amigos…

Levanto, retiro o braço do toca-discos igual o braço de um amigo que repousa em meu ombro após adormecer, recoloco o vinil no celofane e de volta ao meu Baú, com a sensação de ter abandonado um amigo em alguma rua escura do meu passado.

24/4/2000

Barata Cichetto, 1958, Araraquara – SP, é poeta, escritor, tem uma arca na cabeça. Criador e Editor do Agulha.xyz e  Livre Pensador.

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